Quando todo o resto desaparece…

Me questiono sobre tudo. Sobre o tempo, o espaço, as formas, os porquês. Me questiono não somente para saber da verdade, mas para formar uma opinião sobre os mais diversos assuntos. E recentemente, venho aprendendo com esses momentos de insegurança, ou talvez, de curiosidade. E o que é mais impressionante: Desapareço em minha complexidade de ser, e dou espaço a um lugar em branco.

Mesmo sem merecer, eu nasci. Mesmo sem querer, eu caí.  Mesmo quando aprendemos a andar, os roxos em nossos joelhos nos dão um incentivo a prosseguir. Um vazio, um branco, um nada. E posso lhe afirmar com todas as letras que é quando esvaziamos nossas vidas, é que finalmente aprendemos do que é feita nossa personalidade.

Me afastei dos que se diziam “amigos”. Pra eles eu posso até ser uma amiga em potencial, por que sinceramente, eu me importava com eles, com seus problemas, com suas alegrias. Mas pra mim, eles não conseguem significar nada mais do que nomes, pelos quais eu zelo, eu desejo o bem. Mas que não fazem diferença em pequenos momentos do meu aprendizado. Pois eles vivem as próprias vidas, correm desesperadamente procurando por algo que os satisfaça. E consequentemente, não preenchem esse vazio, sendo seres insatisfeitos, mesmo em meio aos plenos prazeres da vida.

Quando eu cheguei a esse meu vazio, que mesmo em meio a todas as razões de perfeição, insistia em permanecer ali, desapareci. Em meio ao caos de minha existência dei lugar a tristeza, e ainda sem entender, relutei em continuar respirando.

E agora, sozinha, guiada por pequeninas frases de amor, procuro reaver os fatos.

LaFemmeviaWeHeartIt_large

Mentalmente, as luzes se acendem. Talvez por algum sentido oculto, elas representem uma razão palpável no futuro. O sentido da vida, e cada fôlego que prossegue em seu devido lugar. As idas e vindas de amigos. O preocupar-se aparente e infantil de quem nada sabe sobre o amar. A melancolia que isso gera, a falta de um toque de piano ao fundo, e uma dança bailada por um só. Dois aqui, uma acolá.

A ciranda do nascente. As surpresas do natal. E tudo continua um vazio existencial, sem jamais desmerecer os que despertam. A vontade de prosseguir.

É nessa equação de duas incógnitas que continuo. Um X representando o valor final, um futuro do qual não sei o que esperar. E um Y, sentindo lá no fundo a preocupação de Deus em fazê-lo amadurecer em cada detalhe, até mesmo os mais doloridos recomeços.

Posso dizer que há uma razão. Mas a patética reviravolta que nos faz querer desistir carrega consigo tijolos, que aos poucos moldam muros, onde de vez em quando, se faz necessário um arrombamento, a fim de compreender o que se passa dentro desse tão sofrido coração.

É isso o que chamam de crescimento. E a síndrome Peter Pan, ah, essa sim, nos abraça fielmente, não nos deixando ir. Enganando-nos com seus truquezinhos de felicidade, dos quais grande parte de meus conhecidos tomaram corpo. Mas há uma explicação.

O restante renasce. Quando todo o resto desparece.

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