Querido amanhecer,

Hoje você bateu em minha porta. Dizendo que um novo dia estava prestes a começar. Eu não o sabia como aconteceria, nem se caberia a mim tentar continuar convicta de que meu coração ainda batia. Se há algo em meu ser que bate sem ritmo algum, este é meu coração. Por enquanto, vejo cada feixe de cor e calor nascendo, o dourado com cinza, o tradicional das manhas nubladas. O chão encharcado, gotas de chuva escorrendo das vidraças de minha casa. Era um tradicional clima de verão no sul. Falo que o ritmo é o que conduz a vida. Todos os seres viventes gritam por algo novo. E sem compasso, vemos cada gota de chuva cair.

Raiou o dia, sumiram as nuvens. Fico à espera de um motivo pra sorrir. É como se minha vida dependesse de um mínimo de alegria por dia. Não aguento mais chorar. Vejo os amores, as cores, e os sabores, coisas que se passaram, e fico a pensar se algo naquele amanhecer teria sentido. São meros gestos, palavras… Um sol nascendo no horizonte, e a noite tudo passa.

Vejam, vejam com olhos diferentes. Quem aprende a amar depois de anos longos de vida sofrida, aprende a sorrir por tudo. E com todos.

Minha última alegria compartilhada, fora com o amanhecer. Os sonhos que tive sussurram fatos, confusos, mas sempre com um ponto investigativo. Era uma natureza morta, preparada para ser transformada.

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