. partidas .

Era uma tarde qualquer, o sol estava deixando de brilhar, e a lua tomava conta da iluminação daquele local. Você poderia sentir o frio percorrendo as espinhas. Um carro parado no acostamento, duas pessoas descendo lentamente a fim de “esticar as pernas”. E uma pequenina senhora à observá-los.

Um sacola gigante, com muitos plásticos e restos de comida, estava sendo depositada na lata de lixo. Lágrimas percorriam a face da moça. Uma cara de frustração estava claramente estampada no rosto do rapaz. A Senhora errou o ponto cheio do seu tricô, teria que recomeçar a carreira.

Um Barulho de caminhão se aproximava.  – É Hora de partir- O Jovem falava puxando a moça pro carro. E Essa, relutava dizendo que precisava se acalmar primeiramente. Sua palidez era visível, e seus ossos batiam ligeiramente um contra o outro. Ela estava passando mal.

Foram cenas rápidas. Um caminhão perdendo o controle, uma moça desmaiando fora da pista, uma senhora se levantando para beber água, e um rapaz lidando com a chave da ignição. Uma escuridão os cercando, lua nova? Não, estava mais pra minguante. Porém a iluminação era tão precária, que a cena ficou escondida pelos estrondos do desespero. Horas a fio, e esses 4 viajantes conversavam entre si. Alguns levemente feridos, outros, doentios. Conversaram sobre a vida, sobre a morte, e sobre o quanto passaram perto dela. Choraram juntos, e por fim se despediram. A Moça precisava de médico, um táxi veio a buscar. E Ao abraçar o jovem, ela suspirou um leve: obrigado. Fora o abraço mais longo de todos. O Jovem, que ainda tentava assimilar tudo o que acontecera, ficou olhando os outros “estranhos conhecidos”, os considerava mais do que os próprios pais, só pelo simples fato deles acolherem-o e calmamente resolverem toda sua situação. A Velha senhora, cantarolava uma canção antiga, daquelas que ultrapassam gerações, e ao se despedir de cada um deles, fez questão de ressaltar alguns sábios conselhos. Sendo assim, o último. Um caminhoneiro que havia dormido pouco, pedira desculpas pelo transtorno, e ao voltar para o caminhão, constatou que sua carga havia aumentado. Um Jovem, uma senhora, e uma moça, lhe fizeram questão de dar um amor, que ele jamais houvera carregado consigo. E passo a passo, saíra, dando adeus a sua vida passada.

Era um recanto qualquer, na tela de um computador. Uma escritora com lágrimas escrevendo um conto, que relatasse tudo o que seu coração fazia questão de apurar. Uma avalanche de sentimentos, confusões, que lhe apontam uma dúvida, um medo de continuar. Mas ao se despedir desse conto, ela finalmente compreendeu, que não precisa se despedir da vida. Apenas da velha imagem “cínica, e insubmissa” que tinha de si mesma. A Noite lhe aguardava, para contar através de sonhos, sobre um amor que ninguém jamais ouviu falar. O Amor das pequenas coisas.

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