. Não .

Eu não aguento mais, eu preciso escrever sobre isso. Sinto que se não expor tudo isso a esse blog, não terão motivos pra me dizerem olá. Eu não posso continuar escondendo algo que precisa ser dito. Meu motivo de ser assim, de escrever assim, de viver assim. Minha história emocional.

Era uma vez, uma garotinha, recém apresentada ao mundo. Era um dia especial, 4 de julho de 1994. Seus pais aguardavam com muito carinho a chegada desse pequenino ser. Seus avós queriam paparícá-la, seus tios, queriam que todos os primos crescessem juntos. Queriam continuar tendo o aspecto de família feliz. Nascera então, aquele embrulho, aquele presente, que precisava ser aberto, para que todos descobrissem quem ela realmente era. Era um dia perfeito de copa do mundo. Da vitória do Brasil sobre os Estados Unidos. Da comemoração do nascimento de um filho, tantos de meus pais, quanto de um jogador de futebol. Tudo girava a ritmo de festa, alegria.

Era uma vez, uma lembrança que essa garota tinha. De um dia, quando dormira, e seus pais a viram cochilando. E um pro outro exclamava o quanto o amor agia na vida da família. Um calafrio, desde que tivera seu primeiro pesadelo, o qual ela lembra claramente até hoje. Do levantar até a cama dos pais, da forma como se ajoelhou a fim de receber um benção paterna para que seus sonhos ficassem tranquilos. Dos suspiros quando entrara na escola, e era considerada a menina mais inteligente, porém a mais falante. A Forma como organizava seus cadernos, e brincava no parquinho. Essa garota lembra claramente, do dia em que desmaiara na escola. É Daí que vem sua primeira crise de abandono. Ninguém fora ao lado dela, ninguém se perguntou o porque de uma garotinha de 6 anos estar estirada no chão. A Professora mal notou a sua presença. Seus colegas mal perceberam o estado dela. Caso algo mais grave tivesse acontecido, quem sabe por quanto tempo ela teria que esperar ali? A forma como acordara, e enfim viram o que havia acontecido. Mas já era tarde. Será que vocês não percebem que o pior já passou? – A Cabeça dela girava – Seus pais estavam vindo buscá-la.

O medo de ser a mais feia, quando o dentão da frente nasceu tortuosamente. E a brincadeira dos demais colegas: A Dentão de coelho feio, mônica (além de ser gordinha, é dentuça e bate nos meninos). A Sua melhor amiga, achando o menino com o qual você dizia que iria casar, o mais bonito da turma também. E ele dando bola pra amiga loira dos olhos verdes, ao invés da dentuça dos olhos castanhos. Tudo isso contribuia, tudo isso aterrorizava os sonhos dessa pequenina.

A Mudança de cidade. A Chegada num mundo novo e desconhecido, onde as garotas tinham que ser as mais lindas. A Repressão escolar. A Repressão familiar. O Desencontro de lutas, de todos nós.  A primeira possibilidade de acabar com tudo aquilo, a primeira forma de suicídio emocional. Um Muro, daqueles mais altos fora construído sobre aquele coração. A Inversão de valores, o medo da desaprovação. O sentimento de carência. O Mundo, o fantástico mundo escondido de sonhos, onde ela se refugiara, e achava que ninguém a tiraria de lá. A Falta de tolerância, de amigos.

Ela lembra também, dos seus aniversários decorrentes a essa fase. Totalmente sem vida. Uma melancolia, da qual ela não queria deixar transparecer. A Chegada da sua irmã, um tesouro que chegara com o mesmo objetivo, alegria. E essa sim trouxe a alegria. Mas ninguém entendia o porque então de seu refúgio em outros mundos. A Adolescência batia-lhe a porta.

Talvez fosse somente as noites sem dormir, os choros soluçantes e amargos de uma dor emocional. Onde cada batida de seu coração indicava uma repulsa por si mesma. Talvez, fosse além disso. Todo um contexto a envolvia. A Não necessidade de se alimentar direito. O relaxamento nos estudos. A Falta de motivação pra seguir em frente. Enquanto todos diziam que ela era a mais feliz, saltitante. Mas só ela sabia o que se passava. A Sua força na fé. O amor maior que lhe levara da terra ao céu em instantes. Novos sonhos, ideais, objetivos.  O finalizar de todo o seu medo, pensara.

Até a chegada do ano decisivo. A tentativa das provas pro seu ensino médio. A Reprovação em todas elas, o ano sem estudar, o ano sem vida. Será que você realmente entende? O que é passar por isso, e ainda sair contando a todos que você é feliz? O Meu problema é grande somente pra mim, eu sei. Mas algo mais profundo, entre uma linha e outra, umas milhares de lágrimas ao escrever isso, me diz que isso se reverterá em alegria. E eu acredito, que ao expor todos esses sentimentos que explodem em minhas veias, talvez um peso saia de meus ombros.

                                                                                             # Deborah Knapik #

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Um comentário em “. Não .

  1. E sai. Você quer, você pode. Cada um constrói sua linha férrea a partir do que passou pela infância: seus traumas e derrotas ou os momentos alegres e os afagos nos braços dos avós, natural. Somente cada um de nós sabemos da dor que trazemos em nossos corações, dos buracos dentro de nossas almas… E a maioria usa de blogs, usa da música ou de qualquer manifestação artística pra tentar expor ao menos um pouco do seu espírito, pra não passar despercebido. Assim, melancólico.

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