. Aquarelas .

Peguei um pincel. Nele destaquei duas cores primárias, as que eu realmente queria que aparecessem em minha nova pintura. O azul, o vermelho.

O azul, representava a vontade de continuar. Na minha terra, o azul é a cor do céu, do mar. É o azul dos olhos, mesmo quando esses olhos são intensamente escuros. O azul da caneta, o azul do filme Avatar. o Azul do meu vício em Blue man Group. Um azul que me remete a pinceladas levianas, de serenidade, perseverança. Algo que me força a continuar, a vencer, por vez.

O Vermelho. Cor do sangue, que pra muitos lembra morte. Contudo, pode parecer estranho, mas pra minha concepção de mundo, vermelho é a cor da vida, do sinônimo que o sangue corre nas minhas veias, que bombeia meu coração. Que me faz perceber quando está calor, quando está frio. Quando estou me sensibilizando com a história dos demais. Vermelho, a cor da paixão, do amor incessante, da chama do fogo.

Sem mais a declarar, olhei para a tela. Pura, branca. Por enquanto.

Comecei a desenvolver um castelo, todo feito de estrelas, do mais puro Azul celeste. E tijolo por tijolo, coloquei o alicerce central. Um sangue precisava circular por aquele lugar, e o vermelho desempenhava seu papel com excelência. Me senti um Vincent Van Gogh, que entre um movimento e outro avaliava sua obra, e por vezes se indignava. Em vida ele não possuiu nada maior do que o fracasso.

Liguei o rádio numa estação desconhecida de meu vilarejo. Soube como o clima iria se comportar, (talvez fosse bom buscar uma blusa no armário). Fechei meus olhos enquanto o locutor procurava a próxima música, e rabisquei o primeiro detalhe estranho de minha obra. Por detrás daquele castelo, a tinha vermelha se fundiu. E Um roxo indicou uma pétala de flor, onde uma pintura se encontrou na real vida que ela precisava ter. Aquele pequenino sinal de alegria, começara a indicar um significado ao meu momento sem stress.

E Por detrás de minhas cortinas, um vento frio balançante derrubara o copo de descanso. Assustei-me quando me deparei com água escorrendo do quadro, e uma iluminação natural indicando que o dia estava se findando. Digo-lhe que o melhor momento pra visualizar esse quadro jamais chegou. Mas que no meio de toda aquela confusão, consegui enxergar meu eu perdido dentre as tintas, riscos, rabiscos. Tic-tac, são seis horas. A Hora cheia da minha vida.

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