. fugas .

Um dia, quando era garota, resolvi “fugir”. Fugir não de casa, mas da escola. Tentei de todas as formas. Fiz amizade com o inspetor, com o diretor. Tudo com o intuito de um dia possuir uma liberdade que pra mim, eu imaginava como a melhor coisa do mundo.

Também tive meus dias de fuga. Fuga da vida. Eram os dias que uma música alta do U2 ou Coldplay pra mim se tornava meu melhor amigo. O Dia de fugir da vida e me trancar no meu próprio mundo.

A Fuga de assuntos comprometedores, a fuga de lavar uma louça no almoço da família. A Fuga, simples por si só. O Fugir se tornou um hábito tão constante de nossas vidas que quando menos percebemos estamos fugindo da fuga. Complexidades, casos onde o stress se torna mais sedutor do que o tolerar, onde o ter a razão se torna o principal motivo da discussão. Que por algum motivo não lhe levará a lugar algum. Talvez, à um mundo fechado, onde só você, e seu subconsciente podem ter acesso livre. Mas de todas as formas, as fugas geralmente são sem rumo, o que torna o processo mais responsável. Saber que seus atos de fuga lhe mostrarão uma estrada com vários caminhos, porém sem nenhum destino lhe dá mais vontade ainda de fugir dessa fuga. E falo isso com a certeza, de uma pessoa  que infelizmente já passou por muitos desse caminho, e depois teve que voltar pela mesma linha. A fim do ponto de início ser a única referência.

Confesso também, que já pensei muito em fugir de casa. Quando as famosas crises da adolescência, lhe remetiam a infância tão feliz. Mas agora sei que não há lugar melhor para se estar quando eu estiver exatamente nessas crises. São momentos “bobos”, onde até a morte da bezerra se torna mais agradável do que ouvir seus pais lhe ordenando isso, ou aquilo. Ou talvez seu irmão caçula, ou sobrinho pegando seu óculos de sol  e o quebrando. Isso faz parte da vida. Todos queremos fugir desse mundo, mas quando nos deparamos com a esfera por si, entendemos que sempre iremos parar no mesmo ponto. De nada adianta. Conheço pessoas que fugiram pra se casar, e no fim acabaram se divorciando, alegando que os pais sempre amaldiçoaram aquele matrimonio. Sim, é de fato intrigante a facilidade de dedos nos atingindo e dizendo: Você é o culpado da minha infelicidade. Mas se estamos infelizes, um espelho seria o melhor juiz acusador.

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